Talentosa, criativa e apaixonada pelo que faz, a artesã caxambuense Patrícia Castilho tem levado para Minas Gerais um trabalho único: esculturas produzidas a partir de serragem — material que normalmente seria descartado, mas que nas mãos dela se transforma em peças cheias de expressão, textura e identidade.
Por meio de um edital, no qual a artesã ficou em 34º lugar, Patrícia foi convidada para participar em Belo Horizonte, da 36ª Feira Nacional de Artesanato, que acontece entre os dias 3 e 7 de dezembro, uma das maiores vitrines do setor no país, levando consigo o nome de Caxambu e a força da arte sustentável.
Seu estilo singular, marcado pela técnica própria de moldar serragem, tem despertado curiosidade e admiração por onde passa. Cada peça nasce de um processo cuidadoso, que mistura memória afetiva, sensibilidade e inovação. Para ela, transformar o que seria lixo em arte é também uma forma de dar novo sentido às coisas — e à vida.
“Acredito que o imperfeito se torna diamante para os olhos certos. Valorizo a beleza do desgaste do tempo”, afirma a artesã.
O reconhecimento que Patrícia vem conquistando tem relação direta com sua dedicação, mas também com o apoio que encontrou no Sindicato Rural de Caxambu e no Sistema Faemg/Senar. Foi por meio do Progearte, curso de capacitação considerado a “NBA do artesanato mineiro”, que ela aprimorou técnicas, ganhou segurança e descobriu como transformar seu talento em uma carreira sustentável.
“Com o curso e apoio de mestres artesãos adquiri segurança nos meus produtos. Foi abrindo portas para participar de feiras na região”, relembra.
A formação não trouxe apenas conhecimento: trouxe conexão. Patrícia passou a fazer parte do coletivo Fonte das Artes e ajudou a organizar a 1ª Feira Progearte de Caxambu, realizada no Parque das Águas. Daquela experiência nasceu também a Associação de Artesanato Catambu, criada para fortalecer o artesanato local e oferecer suporte a novos talentos.
“Criamos a associação para dar apoio aos artesãos, sempre com o propósito de unir vidas com arte. Onde todos são bem-vindos e acolhidos”, destaca Patrícia.
Só então, em meio a tantas conquistas, Patrícia compartilha o início dessa jornada — um começo simples, sensível e marcado por reinvenção. A arte emergiu em um momento difícil, como uma forma de cura e expressão. Com incentivo da família, ela transformou aquela descoberta em propósito.
“Comecei fazendo tábuas de carne e vendendo para amigos e familiares na época da pandemia. Com isso sobrava muita serragem, e fui guardando… pouco tempo depois comecei a fazer uma massa e criar esculturas para mim mesma”, conta ela.
Hoje, Patrícia se destaca em eventos regionais e estaduais, inspira mulheres a reencontrarem sua força criativa e mostra que, quando talento e oportunidade caminham juntos, novas portas se abrem. Sua história revela que os cursos do Sindicato Rural de Caxambu e do Senar MG vão muito além do aprendizado técnico: eles dão forma a sonhos, fortalecem trajetórias e ajudam a transformar vidas — uma peça por vez, como suas esculturas de serragem.
“Transformei a serragem que muitos descartam em arte — e transformei minha própria vida junto. O artesanato me deu propósito, e o Sindicato Rural de Caxambu e o Senar me deram um caminho.”- concluiu Patrícia.
Reportagem e edição de texto: Sérgio Monteiro – Jornalista – Assessoria do Sindicato Rural de Caxambu









