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Sindicato Rural de Caxambu > Blog > Notícias e Imprensa > Agronegócio para um novo Brasil
Notícias e Imprensa

Agronegócio para um novo Brasil

Imprensa Sindicato Rural de Caxambu
Última atualização: 12 de maio de 2024 7:42 pm
Imprensa Sindicato Rural de Caxambu Publicado em 26 de janeiro de 2018
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Para o bem da economia nacional, é de se esperar que se concretize na prática o anúncio do ministro da Agricultura em exercício, Eumar Novacki, feito no Summit Agronegócio 2017, de que a pasta tem o propósito de ampliar a participação da atividade no comércio exterior, de modo que o Brasil detenha 10% do mercado global. Para isso, é fundamental o cumprimento do que estabelece o Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2017/2018, que prevê, segundo dados oficiais do governo, volume de crédito de R$ 188,3 bilhões, R$ 9,2 bilhões para a modernização de frotas e orçamento de R$ 550 milhões para o seguro rural no ano novo.

Há avanços nesses indicadores. Entretanto, é preciso considerar que os juros específicos para a agropecuária ainda estão muito elevados: 8,5% ao ano para custeio; 7,5%, investimento; e 6,5%, armazenagem e inovação tecnológica. Tais índices não fazem sentido, em especial se considerarmos que os produtores da Europa, Estados Unidos e outras nações fortes no setor desfrutam de taxas muito menores e que a inflação está abaixo da meta. O próprio mercado tem a expectativa de que não supere 4% em 2018, segundo a edição de 24 de novembro do Boletim Focus do Banco Central, última até o momento em que escrevi este artigo.

Também é preciso considerar algumas prioridades, como a melhoria dos sistemas de armazenamento, transportes e logística, cuja precariedade é causadora de inaceitáveis desperdícios de alimentos e commodities. Item que também merece atenção é o seguro rural, que precisa ser um efetivo garantidor dos riscos a que se submetem a cada safra os empresários do campo, de todos os portes, desde as intempéries até fatores mercadológicos imprevisíveis.

É pertinente entender, ainda, que o agronegócio – apesar de ser apontado por todos como o “salvador” do Brasil em meio à pior recessão de nossa história, de seu desempenho positivo no comércio exterior e curva ascendente de desempenho nas últimas décadas – enfrenta os mesmos problemas que afetam a competitividade da indústria, comércio e serviços. Juros altos, câmbio muito variável e nem sempre estimulador das exportações, insegurança jurídica, burocracia, elevada carga tributária, infraestrutura deficiente, a corrupção e a crise fiscal do setor público prejudicam a agropecuária na mesma proporção dos demais setores produtivos.

Tanto assim que a Organização Mundial do Comércio (OMC), em relatório recentemente divulgado, revela que houve queda na participação dos nossos produtos agropecuários no mercado internacional. Temos a quarta maior área agrícola do mundo e continuamos sendo o terceiro maior exportador, atrás somente dos Estados Unidos e da União Europeia. Porém, nossa fatia no mercado global recuou de 7,3%, em 2012, para 5,1%. Seguimos líderes na comercialização de açúcar, suco de laranja e café.

Os dados demonstram que a meta anunciada pelo ministro da Agricultura em exercício, Eumar Novacki, de ampliar nossa fatia no comércio exterior do agronegócio, não só é bem-vinda como premente, para recuperarmos o espaço que perdemos. Com responsável otimismo, revigorado pela resiliência das instituições, a apuração e sanção legal sem precedentes da improbidade e a oportunidade que as eleições de 2018 nos oferecem de reescrever nossa própria história com o poder do voto, devemos acreditar muito em nossa capacidade de construir um novo Brasil, um país no qual as mulheres e os homens do campo continuarão semeando a esperança.

Jornal O ESTADO DE MINAS

Autor: *João Guilherme Sabino Ometto – Engenheiro (Escola de Engenharia de São Carlos 2013 EESC/USP), presidente do conselho de administração do Grupo São Martinho e membro da Academia Nacional de Agricultura

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