{"id":879,"date":"2013-07-02T08:48:00","date_gmt":"2013-07-02T11:48:00","guid":{"rendered":"https:\/\/sindicatoruralcaxambu.wordpress.com\/2013\/07\/02\/termometro-do-leite-em-alta"},"modified":"2013-07-02T08:48:00","modified_gmt":"2013-07-02T11:48:00","slug":"termometro-do-leite-em-alta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindicatoruraldecaxambu.com.br\/1\/termometro-do-leite-em-alta\/","title":{"rendered":"Term\u00f4metro do leite em alta"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify;\">Pecuaristas leiteiros est\u00e3o comemorando a boa fase. O pre\u00e7o do litro de leite pago ao produtor chegou a cerca de R$ 1 no estado. A cota\u00e7\u00e3o permite um certo alento para a atividade. Paralelamente, aumentam os investimentos em produtividade. Com alimenta\u00e7\u00e3o adequada para as vacas e propriedades mais equipadas, \u00e9 poss\u00edvel evitar as quedas de renda t\u00e3o comuns na entressafra, quando o pasto seca e as perdas s\u00e3o frequentes. F\u00e1bio Rebello Filho \u00e9 exemplo de produtor que mesmo no Norte do estado tem conseguido manter a produtividade em alta. Ele j\u00e1 produz cerca de 300 litros di\u00e1rios com a for\u00e7a de 22 matrizes das ra\u00e7as holandesa e girolando em lacta\u00e7\u00e3o. Mas sua meta \u00e9 chegar a 700 litros, com 40 vacas. Melhoria de gen\u00e9tica e de manejo dever\u00e3o ajudar.<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\">Suspiro na pecu\u00e1ria<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\">O produtor rural e m\u00e9dico-veterin\u00e1rio Alexandre Rezende n\u00e3o se lembra quando sua fam\u00edlia come\u00e7ou a trabalhar com a pecu\u00e1ria leiteira. Ele sabe que aprendeu a t\u00e9cnica com o pai, que aprendeu com o av\u00f4, que herdou do bisav\u00f4. Depois de formar-se na universidade, Alexandre assumiu a tradi\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia e a propriedade em Igarap\u00e9, na Regi\u00e3o Central de Minas. Com o uso de t\u00e9cnicas avan\u00e7adas de manejo, ele pretende no prazo de dois anos dobrar sua produ\u00e7\u00e3o de leite, que hoje gira em torno de 200 litros\/dia. O bom momento do alimento no mercado, cujo pre\u00e7o para o produtor rural atingiu R$ 1 o litro, tem animado pequenos e grandes, velhos e novos na atividade. Pecuaristas de Minas est\u00e3o investindo na infraestrutura, na dieta do gado e em t\u00e9cnicas de manejo para garantir a sustentabilidade do neg\u00f3cio, que coloca o estado no topo do ranking brasileiro. Por ano s\u00e3o 8,3 bilh\u00f5es de litros de leite, ou 25% do volume nacional.\u00a0<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\">O produtor de leite n\u00e3o \u00e9 apenas um especialista em pecu\u00e1ria, tradicionalmente \u00e9 tamb\u00e9m um conhecedor dos solavancos do mercado, que se caracteriza por fortes altos e baixos. O vaiv\u00e9m costuma derrubar os pre\u00e7os do leite, apertando bastante o custo da produ\u00e7\u00e3o. Para isso, diversos programas ligados ao poder p\u00fablico, entidades de classe e universidades t\u00eam levado mais conhecimento ao campo, garantindo boa produ\u00e7\u00e3o, seja na seca ou na safra. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 que a atividade seja mais resistente \u00e0 instabilidade dos pre\u00e7os. Os resultados esperados passam pelo aumento da produtividade e da qualidade. \u201cPara permanecer na pecu\u00e1ria de leite \u00e9 preciso em primeiro lugar gostar muito, e depois usar mais tecnologia\u201d, diz Rezende.<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\">Willian Dornelas \u00e9 produtor em Senhora dos Rem\u00e9dios, na Regi\u00e3o Central do estado. A tecnologia, aliada ao bom momento do leite, renova a esperan\u00e7a do produtor que h\u00e1 10 anos entrou para a atividade. Ele conta que sua pequena propriedade foi uma heran\u00e7a de um av\u00f4. Ele decidiu tocar o neg\u00f3cio, que h\u00e1 quatro anos ganhou novos ares. Isso porque ele entrou para o programa Balde Cheio, da FAEMG, em parceria com associa\u00e7\u00f5es e prefeituras. O programa, que leva conhecimento \u00e0 atividade leiteira revolucionou a produ\u00e7\u00e3o. O neg\u00f3cio deslanchou e dessa vez foi o pai, Jos\u00e9 Guido Dornelas, que decidiu acompanhar a atividade do filho, trocando a constru\u00e7\u00e3o civil pela fazenda.\u00a0<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\">Em quatro anos a produtividade do s\u00edtio cresceu 300%. \u201cHoje conseguimos tirar cerca de 200 litros de leite por dia e a meta \u00e9 nos pr\u00f3ximos quatro anos chegar a 300 litros\u201d, calcula Jos\u00e9 Guido, que conta com o apoio do t\u00e9cnico veterin\u00e1rio Daniel Fonseca.\u00a0<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\">Segundo Jos\u00e9 Guido, suas vacas, que antes produziam de 12 a 13 litros diariamente, com t\u00e9cnicas corretas de alimenta\u00e7\u00e3o e manejo passaram a produzir 20 litros\/dia. Outro dado importante \u00e9 que no per\u00edodo da seca a produtividade, que antes chegava a despencar, 35% hoje se mant\u00e9m no mesmo n\u00edvel do restante do ano. Willian diz que com a boa fase do leite \u2013 em sua regi\u00e3o o pre\u00e7o pago ao produtor chega a R$ 1 por litro \u2013, eles t\u00eam conseguido cobrir os custos. \u201cH\u00e1 tr\u00eas anos investimos perto de R$ 60 mil na propriedade e agora estamos come\u00e7ando a reaver esse valor. \u201d\u00a0<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\">MELHORAMENTO<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\">Cl\u00e9sio Melo \u00e9 extensionista da Emater em Coroaci, no Leste de Minas. A pequena cidade, de 10 mil habitantes, conta com cerca de 50 pequenos produtores, que juntos somam volume de 30 mil litros de leite por dia. \u201cDentro do programa Minas Leite divulgamos tecnologia no campo, o que j\u00e1 trouxe resultados positivos tanto no manejo quanto no melhoramento gen\u00e9tico do gado\u201d, diz.\u00a0<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\">O acesso a novas t\u00e9cnicas garante melhores resultados, seja para pequenos, m\u00e9dios ou grandes produtores. Pecuarista de grande porte no Norte de Minas, Ailton Barral Santiago tamb\u00e9m acredita nos bons resultados. Em sua propriedade, na regi\u00e3o de Alto Belo (munic\u00edpio de Bocai\u00fava), ele produz em torno de 1,6 mil litros por dia, sendo fornecedor da Associa\u00e7\u00e3o dos Produtores de Leite do Norte de Minas (Asproleite). Ele conta com 125 vacas mesti\u00e7as. Para superar as dificuldades impostas pela seca, Ailton recorre a alimenta\u00e7\u00e3o suplementar, dispondo de capineira irrigada. \u201cO pre\u00e7o do leite est\u00e1 bom. Mas, acredito que ainda h\u00e1 espa\u00e7o para novas altas, o que ajudaria a cobrir os custos que est\u00e3o crescendo.\u201d<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\">Salva\u00e7\u00e3o na ordenha<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\">No Norte de Minas, em grande parte do ano, diante da seca, o leite \u00e9 uma esp\u00e9cie de \u201csalva\u00e7\u00e3o da lavoura\u201d, sendo a \u00fanica fonte de renda que garante a manuten\u00e7\u00e3o de dezenas de propriedades rurais. Por isso, a melhoria do pre\u00e7o do produto trouxe um novo alento para os produtores, abrindo novos horizontes para a atividade. \u201cNo ano passado, os produtores praticamente n\u00e3o tiveram renda. Neste ano, houve uma melhoria da rentabilidade e a produ\u00e7\u00e3o de leite voltou a ser atrativa, oferecendo condi\u00e7\u00f5es para a conviv\u00eancia com a seca\u201d, afirma o produtor F\u00e1bio Lafet\u00e1 Rebello Filho, de 46 anos, que \u00e9 tamb\u00e9m presidente da Coopagro (Cooperativa Agropecu\u00e1ria Regional de Montes Claros).\u00a0<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\">Segundo estimativas do pr\u00f3prio Rebello Filho, o Norte de Minas produz hoje em torno de 350 mil litros por dia, fornecendo o produto para cerca de 10 latic\u00ednios. A Coopagro recebe 15 mil litros por dia, fornecidos por 120 produtores. O produto \u00e9 repassado para a Itamb\u00e9. Outra empresa que adquire a produ\u00e7\u00e3o norte-mineira \u00e9 a Nestl\u00e9, que tem uma f\u00e1brica de leite condensado em Montes Claros. O pre\u00e7o pago ao produtor na regi\u00e3o varia de R$ 0,99 a R$ 1,07, o litro.\u00a0<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\">F\u00e1bio Rebello Filho se dedica a produ\u00e7\u00e3o leiteira na Fazenda Morro do S\u00e3o Jo\u00e3o, de sua propriedade, no munic\u00edpio de Capit\u00e3o En\u00e9as, onde produz cerca de 300 litros di\u00e1rios e disp\u00f5e, atualmente, de 22 matrizes das ra\u00e7as Holandesa e Girolando em lacta\u00e7\u00e3o. \u201cMas, a minha meta \u00e9 chegar a 700 litros de leite com 40 vacas em lacta\u00e7\u00e3o. Para isso, vou investir na qualidade gen\u00e9tica do rebanho e na melhoria do sistema de alimenta\u00e7\u00e3o\u201d, afirma o produtor, que foi campe\u00e3o do concurso de gado leiteiro da Exposi\u00e7\u00e3o Agropecu\u00e1ria Regional de Montes Claros (Expomontes\/edi\u00e7\u00e3o 2012).<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\">Ele conta que herdou \u201co gosto pela atividade\u201d do pai, F\u00e1bio Lafet\u00e1 Rebello, um dos pioneiros da produ\u00e7\u00e3o de leite no Norte de Minas e ex-presidente da Coopagro e da Sociedade Rural de Montes Claros. De acordo com o Rebello Filho, devido ao baixo \u00edndice pluviom\u00e9trico no \u00faltimo per\u00edodo chuvoso (novembro a abril), houve uma perda de 70% na produ\u00e7\u00e3o de milho, sorgo e cana \u2013 as mat\u00e9rias-primas usadas para a silagem que serve para a manuten\u00e7\u00e3o do gado leiteiro no per\u00edodo cr\u00edtico da seca \u2013 que vai de maio a outubro. Mesmo com o clima adverso, o presidente da Coopagro destaca que o Norte de Minas tem potencial para a pecu\u00e1ria leiteira. \u201cA regi\u00e3o conta com uma boa topografia (terreno plano), solo f\u00e9rtil e boa insola\u00e7\u00e3o.\u201d\u00a0<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\">\u201cPara produzir bem, o produtor deve investir em irriga\u00e7\u00e3o de capineiras e garantir uma alimenta\u00e7\u00e3o adequada para as vacas\u201d, observa o produtor. Ele mant\u00e9m seu rebanho no sistema semi-intensivo: \u201cNuma parte do ano, em torno de seis meses, durante o per\u00edodo das chuvas, o gado fica no pasto. Durante a seca, as vacas s\u00e3o mantidas em confinamento e s\u00e3o alimentadas com a silagem de sorgo e cana, produzida na pr\u00f3pria fazenda\u201d, explica o Rebello Filho. Na Fazenda Morro do S\u00e3o Jo\u00e3o \u00e9 usado o sistema de ordenha mec\u00e2nica, que envolve dois funcion\u00e1rios. \u201cHoje a m\u00e3o de obra no campo est\u00e1 escassa. Por isso, os produtores de leite \u2013 mesmo os pequenos \u2013 se viram obrigados a recorrer \u00e0 ordenha mec\u00e2nica. A m\u00e1quina \u00e9 de f\u00e1cil manuseio\u201d, afirma o presidente da Cooperativa de Montes Claros.<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\">Programas que ajudam<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\">A primeira vaca de leite que chegou ao Brasil foi ainda nos idos do s\u00e9culo 16. Desde ent\u00e3o, a antiga atividade permanece entre as de maior import\u00e2ncia da agropecu\u00e1ria no pa\u00eds e em Minas, gerando renda para milhares de estabelecimentos de pequeno a grande porte. O estado produz 8,3 bilh\u00f5es de litros de leite por ano, o maior volume do pa\u00eds. S\u00e3o mais de 200 mil propriedades que sobrevivem total ou parcialmente da atividade, respons\u00e1vel por segurar no campo, s\u00f3 em Minas, cerca de 400 mil produtores de leite.<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\">Coordenador do programa Balde Cheio, da FAEMG, Wallisson Lara Fonseca conta que em m\u00e9dia as propriedades assistidas pela iniciativa t\u00eam 100% de crescimento na produtividade no per\u00edodo de 12 meses. Ele explica que os investimentos s\u00e3o feitos de acordo com a capacidade do produtor e que a assist\u00eancia t\u00e9cnica \u00e9 oferecida por meio de conv\u00eanios, gratuitamente. \u201cO objetivo principal \u00e9 resgatar a dignidade do produtor que sobrevive da atividade.\u201d Desde 2007, 2 mil produtores foram atendidos em 260 munic\u00edpios, de norte a sul do estado.\u00a0<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\">O Programa Minas Leite, da Seapa (Secretaria de Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento de Minas Gerais), foi lan\u00e7ado para melhorar a qualidade do produto e a capacidade de gest\u00e3o das propriedades leiteiras mineiras, sendo voltado para pecuaristas com produ\u00e7\u00e3o de at\u00e9 200 litros\/dia. As a\u00e7\u00f5es do programa s\u00e3o executadas pela Emater (Empresa de Assist\u00eancia T\u00e9cnica e Extens\u00e3o Rural), com utiliza\u00e7\u00e3o de recursos encontrados em cada propriedade. Cada fazenda assistida tem o compromisso de funcionar como multiplicadora das boas pr\u00e1ticas para outras 10. No programa existe tamb\u00e9m a qualifica\u00e7\u00e3o gerencial e t\u00e9cnica dos sistemas produtivos do leite.\u00a0<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\">Segundo a Seapa, uma das pr\u00e1ticas do Minas Leite, o pastejo intensivo rotacionado, tem contribu\u00eddo para que mais de 200 propriedades mineiras inscritas na Emater-MG alcancem a coleta de 8,2 litros por vaca\/dia, na compara\u00e7\u00e3o com a m\u00e9dia de 7,5 litros por vaca\/dia obtidos menos de um ano atr\u00e1s.<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\">Para participar do Minas Leite, o produtor deve encaminhar solicita\u00e7\u00e3o, por meio de associa\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias, aos escrit\u00f3rios da Emater-MG.<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><\/div>\n<p>Fonte: Estado de Minas<\/p>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pecuaristas leiteiros est\u00e3o comemorando a boa fase. 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